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Home Estudos Bíblicos Doutrinários “Não preciso de teologia!”

“Não preciso de teologia!”

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Pensamentos me intrigam de modo insistente quando tenho o desprazer de ouvir cristãos, sejam eles nominais ou práticos, afirmarem que “não precisam de teologia”. Minha indignação aumenta quando tenho a lamentável oportunidade de presenciar, principalmente aqueles que se dizem “pregadores” do evangelho, tecendo palavras de cunho pejorativo em relação à teologia, como se a Bíblia e o estudo teológico estivessem divorciados um do outro, fato este, que reflete a mais pura ignorância por parte de quem pensa assim.

Certo filósofo já dizia: “Penso, logo existo”. Destarte, quando ouço tais impropérios, logo passo a existir de forma cautelosa, porém crítica através de meus pensamentos, por meio dos quais alguns questionamentos vem à tona:

I. Será que tais “pregadores” de fato sabem o que significa teologia?

II. Será que criticam pejorativamente o estudo teológico como uma forma de autodefesa, objetivando justificar sua negligência e imperícia em relação ao manuseio da Palavra de Deus?

III. Será que já ouviram falar na relevante atuação dos pais apostólicos e apologistas que atuaram em defesa da fé nos primórdios da era cristã?

Mas, afinal de contas, quem eram estes pais apostólicos e apologistas? Eram indoutos, por acaso? Evidentemente que não! Então quem eram eles? De acordo com alguns “hiperespirituais” seriam teólogos frios e destituídos de “poder”! Entretanto, foram eles que nos primórdios construíram legados fundamentais naquilo que tange a doutrina bíblica, defendendo a ortodoxia da Palavra contra o ataque persuasivo das inúmeras heresias que vislumbravam minar a fé cristã (Judas 1.3).

Bom, “seria cômico se não fosse trágico” perceber a contradição de tais “pregadores” evidenciada, inclusive, pelo fato de sempre carregarem em suas mãos uma Bíblia de Estudo, as quais são fruto do trabalho de algum “teólogo”; isto digo, a respeito das notas de rodapé e apêndices complementares. Ou será que acham que tais notas e apêndices também estavam exarados aos autógrafos originais?

Enfim, de modo bastante simplório, teologia nada mais é do que o estudo acerca de Deus. Tendo dito isto, me recordo das palavras do profeta Oséias: “Conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor…” (Os 6.3). Mas como conhecê-lo? Através de experiências e testemunhos de terceiros? Não, evidentemente que não, pois nossas experiências são subjetivas, inerentes a nós mesmos e nem sempre se repetem na mesma proporção. Já dizia o pastor norte americano John MacArthur: “A experiência não é o teste da verdade bíblica; pelo contrário, a verdade bíblica julga a experiência”. Portanto, devemos conhecê-lo por intermédio da sua Palavra, comumente chamada de Bíblia Sagrada, pois esta inerrante e infalível Palavra é extensiva a todos. Não foi em vão que o próprio Mestre Jesus certa feita afirmou de modo imperativo, “fazei discípulos” (Mt 28.19). Logo, fazer discípulos nada mais é do que ensinar, tanto é que na tradução de Almeida, edição Revista e Corrigida, encontramos a seguinte tradução: “…ensinai todas as nações…”.

Um dos grandes nomes do período neotestamentário, que por sinal foi o apóstolo Paulo, escrevendo ao jovem pastor Timóteo diz o seguinte: “Toda escritura divinamente inspirada é proveitosa para ENSINAR, para redarguir, para corrigir, para INSTRUIR em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra”. (2 Tm 3.16,17). Destarte, ensinar e instruir a cerca da Palavra de Deus, nada mais é do que estar envolto em um processo teológico.

Dando prosseguimento ao raciocínio que vem sendo desenvolvido enquanto escrevo, lembro-me de uma importante construção frasal formulada por Paul Washer: “Quando você fala que não quer teologia e só quer a Deus, você está dizendo que quer todos os benefícios de Deus, mas não quer conhecê-lo. Quando você diz que só quer Jesus e não quer doutrina – “doutrina” vem de uma palavra hebraica que significa ensino – você está dizendo que quer os benefícios de Jesus, mas não os ensinos.”

Deste modo, o estudo teológico apresenta relevante papel na formação espiritual cristã, proporcionando equilíbrio nas questões práticas e doutrinárias, além de imprimir em nós a consciência de que quanto mais nos aprofundamos no conhecimento bíblico-teológico, mais devemos entender que não somos melhor, absolutamente em nada, que nossos irmãos, pois somos todos pecadores que carecem da graça soberana de Deus. Não obstante, através do estudo bíblico, logo, teológico, nos tornamos melhores do que nós mesmos seríamos se não tivesse sido oportunizado a nós este conhecimento. Assim, temos a possibilidade de a cada dia, nos tornar a melhor versão de nós mesmos.

Soli Deo Gloria!

Sola Scriptura!

Ângelo dos Santos Monteiro

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* As opiniões expressas nos textos publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores
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Fonte: Gospel Prime

 

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