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Home Estudos Bíblicos Doutrinários A suficiência da Escritura

A suficiência da Escritura

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♪ “(…) Eu preciso Te sentir todo dia!

E olhar pra Tua luz pra não me perder!

Meu Senhor, Tu és a minha alegria

Que eu preciso!!! (…) ” ♫

Não escondo o meu incomodo em relação a esse trecho da musica de Thalles Roberto. Sempre procuro tentar entender o que leva um cantor/compositor a escrever determinadas coisas como “sabor de mel”, “minha vitória é com churrasco e Coca-Cola”, e tantas outras que se ouve nesse mundo gospel. Mas dessa vez preferi me deter especialmente nessa letra.

Eu não nasci “reformada” tive meu lado neopentecostal, místico durante um bom tempo na fé e é exatamente por isso que me preocupa ouvir coisas como “PRECISO sentir todo dia”. Ninguém estava na mente de Thales para entender o que ele realmente quis dizer com isso. Quero pensar que a afirmativa dele é uma força de expressão, uma ideia mal colocada.

Qual o problema real nesse trecho? A questão é preocupante, uma vez que vivemos numa época na qual se substituiu o ensino escriturístico e teológico pelo “poder do sobrenatural” que não passa de puro emocionalismo exorbitante. É disso que estou falando! Onde diz na Bíblia que o cristão PRECISA sentir TODO DIA alguma coisa para se manter firme? Sentir o que? Um arrepio? Sentir paz? Fogo? Levitar? Sapatear??? Letras como estas me fazem sentir frio na barriga.

Durante um tempo inicial na fé, eu visitei alguns ministérios e me vi perturbada porque os cultos sempre eram “cheios de poder” (vide gritarias, exaltações, manifestações em línguas sem nenhuma ordem) e ensino teológico equivocado e místico (como rebatizar pessoas de outros ministérios, tocar em arca da aliança…). Eu não entendia muito bem como ter certeza sobre a minha salvação e sentia-me pressionada a, literalmente, “sentir todo dia” alguma manifestação emocional para poder dizer que Deus estava presente, estava comigo. Era pragmático, às vezes funcionava, eu ia ao culto, na hora do apelo eu chorava, me ajoelhava, franzia a testa… Outras vezes eu ia ao culto e não sentia nada, me via na clara expectativa de sentir algo “diferente”, porém muitas vezes me frustrava a ponto de questionar se realmente Deus estava em mim ou se eu não estava em pecado. Muitas foram às horas que gastei de joelhos esperando “algo acontecer” ao invés de simplesmente me entregar em oração e clamar com sinceridade. Em contrapartida, sempre ouvia as histórias do “perigo da Teologia”, de como alguns irmãos “esfriavam na fé” por buscar pelo estudo, advindo daí a argumentação: “A letra mata, mas o espírito vivifica”. É triste lembrar que durante bom tempo na minha caminhada cristã eu me sentia super-crente faladora de línguas ao passo que outros dias eu temia ter perdido a salvação. Atitudes assim, são de crianças na fé (na verdade não deveria existir nem no inicio da fé se o estudo das Escrituras fosse incentivado e não depreciado). Bom, resumo da história, rendi-me a “Sola Scriptura” sem medo do possível “gelo espiritual” quase inevitável. Surpreendi-me: passei a me sentir mais próxima de Deus, muito mais do que quando dependia das emoções ou de algum pregador “de fogo”. Comecei a olhar para a Escritura e fazer dela o padrão para análise das diversas pregações e músicas “gospeis” ao meu redor. Entendi que, independente de qualquer sensação que eu possa ter, só há um nome que pode me salvar e esse nome é Jesus:

Este Jesus é ‘a pedra que vocês, construtores, rejeitaram, e que se tornou a pedra angular’. Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos”. Atos 4:11-12

Entendi que eu peco constantemente e em mim há uma guerra da carne contra o espirito, mas meu “homem interior” clama pelas coisas de Deus e Ele tem o perdão para me dar (isso não me faz desejar viver na prática do pecado, não usar a graça em vão). Logo, vai haver dias difíceis, sem vontade de orar, fazer o bem, lutar contra o pecado, e não é por isso que ganho e perco a salvação várias vezes ao dia, mas eu tenho a promessa daquele que me redimiu e, mesmo que eu “nunca mais sinta”, eu creio na Obra da Cruz:

Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos pecados de todo o mundo. 1 João 2:1-2

Mesmo que eu sofra, não vou poder fugir da minha própria mente e do entendimento a respeito da redenção que o evangelho me ensinou. Mesmo que eu esteja à beira da morte, Cristo é a minha esperança para sempre!

Passei a compreender que a revelação do Evangelho em minha mente trouxe-me a salvação e, assim como nada tenho de me gloriar quanto a isso, também descanso a minha alma na esperança da vida eterna. Vi-me salva! Vi-me crente em Cristo! Vi-me livre de mim mesma, da minha inconstância, pois Deus vai terminar a obra em mim. E tenho do que me gloriar? Lógico que não! O mérito é totalmente d’Ele!

Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus. Filipenses 1:6

Onde quero chegar com isso? O cristão não pode depender dos seus sentimentos ou forçar “sensações de poder”. O “sentir” pode ocorrer como consequência da fé, que é “a prova das coisas que não se vêem” (Hebreus 11.1), mas não é uma necessidade, não é “preciso”.

Nós precisamos sim é entender a Escritura, devorá-la, amá-la, nos apegar a essa sabedoria que não nos mata coisa nenhuma. O Estudo da escritura mata apenas esses ventos de doutrina que nada têm a ver com Cristo. Você não precisa sair pulando num culto para dizer que Deus estava presente! Deus pode se manifestar da forma como bem lhe aprouver, mas isso jamais contrariará a Escritura. Eu acredito que muitos que estão lendo este texto passam/ passaram por algo parecido com o descrito aqui. Uma vez que hoje se vê um “evangelho” estranho, centrado no homem, a consequência disso é a frustração da “falta de unção” nossa de cada dia.

A obra da cruz expressa nas escrituras é mais do que suficiente para sustentar a nossa vida, mesmo que Deus em Sua soberania não nos conceda emoções, para desta forma provar nossa fé, fundamentando-a na rocha, e não na areia do emocionalismo.

Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno. 2 Coríntios 4:18

* As opiniões expressas nos textos publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores
e não refletem, necessariamente, a opinião do Gospel Prime.

Fonte: Gospel Prime

 

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