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Home Estudos Bíblicos Doutrinários

Doutrinários

O novo nascimento

A passagem de João 3, quando um homem da lei, por nome Nicodemos, procura Jesus para uma conversa, nos ensina algo muito pouco falado nas nossas igrejas nos dias atuais. Vou tentar ensinar para vocês algo importante sobre isso, coisas que o Senhor vem me falando e que precisa ser explorado em nosso meio.
Quando Nicodemos abordou Jesus, ele mencionou que Jesus era Mestre vindo de Deus, usando como argumento os milagres que Jesus havia realizado. Veja em João 3.2. Nicodemos alega que Cristo era o Messias, porque ninguém poderia fazer o que Jesus fazia se não fosse por Deus. Ele usa um argumento que nos parece razoável. Ocorre que o comportamento de quem nasce de novo não é baseado em uma experiência de milagres. É baseado na fé. O nascido de Deus entende as coisas que são de Deus pela fé. Essa é a grande diferença entre o que nasceu de novo e o que não nasceu de novo. Aqui no meu blog eu já postei uma pregação sobre o que nasce de novo, mostrando que, se alguém, de fato, nasceu de novo, essa pessoa de fato é nova. A maioria da igreja brasileira não entende isso. Essas palavras podem até parecer ofensivas, mas tenho que lhe dizer que são a expressão da verdade que sai do trono de Deus, revelada em sua palavra.
Nicodemos usou um argumento que, mesmo àquela época, podia ser derrubado facilmente. O próprio povo hebreu conhecera, no passado, homens que faziam milagres (magos do Egito, da Babilônia, homens que interpretavam sonhos inspirados por deuses estranhos a Jeová e outros casos). O fato de Jesus realizar milagres não era suficiente para provar que ele era o Messias.
A aceitação de Jesus ser ou não o Messias devia ocorrer mediante a fé. Crer naquele homem como sendo o filho de Deus não podia depender de seus milagres, mas da compreensão nítida das profecias que tratavam do Messias. Ora, a maior prova do que estou falando é que, no final das contas, o povo hebreu não o reconheceu como o Messias e isso tendo ele até ressuscitado mortos.
Desta forma, e isso é importante para você analisar a si próprio, posso dizer que nascer de novo vai além de uma expressão formal e religiosa. Nicodemos conhecia muito bem as Escrituras (príncipe dos judeus – vide versículo 1), mas isso não era suficiente para compreender quem era Jesus. O próprio Jesus disse certa ocasião a Pedro que o próprio Pai revelara a Pedro quem era Jesus (Mat 16.17), tamanha a importância dessa compreensão. É aqui, nesse ponto, que está a grande diferença de uma pessoa que leva uma vida cristã de alma, daquele que nasceu de novo. A compreensão das coisas de Deus vem do alto, não vem de pessoas, de livros, de líderes, de treinamentos, não, mil vezes não. Aos que nascem de novo o próprio Deus os ensina (I Jo 2.20).
Mas, ainda, no texto, vemos que a preocupação de Nicodemos era entrar nos céus, era a vida eterna. Ele foi sincero e parece-nos que havia sinceridade em seu coração. Jesus então lhe dirige as seguintes palavras:
“Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. Jo 3.3
O que Jesus estava dizendo? Qual era o foco desse tema? Nascer de novo? Ele mesmo explicou mais à frente. Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus (verso 3).
Seja franco, quantas vezes você ouviu ou tem ouvido alguma pregação tocando nesse tema? Além de ser um tema complexo e exigir uma completa investigação, é uma dura verdade a ser pregada. Quem nasce de novo entende as coisas de Deus. Quem não nasce de novo não entende. É aí que se explica tanta gente “convertendo-se” muito rapidamente, virando cantores gospel, enchendo salões, usando “estratégias” de crescimento, etc etc. Isso é resultado de uma igreja emocional, uma igreja de alma e não uma igreja sólida, composta por novas criaturas. Mas quem entende isso? Isso só vem pela fé e essa só vem pela exposição da palavra de Deus (Rom 10.17).
Há um conceito importante nessa doutrina exposta por Jesus Cristo: o Reino de Deus. Ora, em primeiro lugar o próprio Jesus disse que seu reino não era deste mundo (Jo 18.36). Já quero ir adiantando que existe uma verdadeira heresia, importada dos EUA, ensinando que o reino é aqui. Assim como as Testemunhas de Jeová, os defensores dessa doutrina (Kingdom Now ou Dominionismo) encontram diversos adeptos no Brasil (Sara Nossa Terra, Fonte da Vida, M12, os amigos do Silas Malafaia (Myles Monroe e Mike Murdock) e muitas outras igrejas, com líderes intitulados “apóstolos” e ensinam uma tal Escatologia Positiva). São tidos como evangélicos, mas não falam mais do arrebatamento da igreja. Pode observar. Mais à frente, citaremos outros que pregam essa mentira. O fato é que REINO, ou dos CÉUS ou de DEUS, sempre terá um sentido espiritual e nunca físico ou material. Existe uma interpretação para a questão do reino milenal, mas isso é outra coisa. Nada tem a ver com o que os heréticos do Kingdom Now pregam.
Votando ao texto de João 3, quando buscamos o conceito de reino no dicionário, o Michaellis apresenta que reino é: “Estado cujo soberano é um rei ou uma rainha; reinado. 2. Os súditos do reino. 3. Hist. Nat. Cada uma das grandes divisões em que se agrupam os corpos da natureza: os minerais, os vegetais e os animais. 4. Conjunto de seres que apresentam caracteres comuns.”
Isso caracteriza, também, o reino de Deus. Pode-se inferir que precisamos de um soberano para ser o rei.O próprio Senhor Jesus disse que o reino dele, ou seja, onde ele é o Rei, não é deste mundo. Você pode ler isso em João 18.36, mostrando que o reino existe, mas não é materialmente perceptível. Para que seja feito o devido encaixe no conceito, ainda existem outras ideias que precisam ser comprovadas. Um reino só o é se houver súditos. Não existe o reino tendo apenas o Rei. São necessários os súditos. Quem seriam então os súditos no Reino do Senhor Jesus?
No texto das bem aventuranças, por exemplo, temos diversas classes de pessoas que fazem parte do reino. Embora muitos teóricos da Bíblia, não diria nem teólogos, fazem diferenciação entre reino de Deus e reino dos Céus, isso não é o caso, pois essa doutrina que os distingue é uma doutrina equivocada, já que um desses reinos seria o reino estabelecido aqui na terra pela igreja.
O equívoco é derrubado justamente pelo fato de o Senhor Jesus ter ensinado: “o meu reino não é deste mundo”. Ora, nem o reino milinar está nesse conceito, pois, ainda que seja um reino na terra, não é chamado na Bíblia de reino de Deus ou reino dos Céus. Por isso, há uma forte inferência que reino de Deus e dos Céus referem-se ao mesmo reino que estou aqui tentando explicar: o reino daqueles que nasceram de novo.
Se existem súditos, é necessário que o conjunto desses súditos tenha características semelhantes. A base, então, para ser incluído no reino de Deus é o Novo Nascimento. Quem não nasce de novo não pode entrar no reino de Deus. Jesus não se referiu diretamente à vida eterna, mas ao reino espiritual em que ele é o Rei e no qual pessoas vivem debaixo das mesmas semelhanças, ou seja, características comuns.
O que pesa na pregação do Novo Nascimento e que muitos a evitam é a seriedade que esse tema possui. Ao falar em novo nascido, falamos de pessoas com características comuns, que obedecem a um Rei, que está inserida, legalmente, no reino de Deus. Ora, é uma mensagem difícil, mas importante de ser pregada e ensinada, pois quem não “nasce de novo não pode entrar no reino de Deus”.
Quando se fala em Novo Nascimento, há um silêncio generalizado. Isso ocorre porque se analisarmos, friamente, que uma pessoa nasceu de novo e, depois de algum tempo, ela voltou à sua vida antiga, ou seja, desviou-se e voltou ao pecado, então, naturalmente, pensamos que ela não havia nascido de novo. Desta forma, o tema em si se torna um grande desafio para a Igreja de Cristo Jesus aqui nesta vida terrena.
Não adianta buscarmos entender as coisas de Deus com prismas materiais, terrenos ou teológicos. A compreensão da revelação que Deus nos dá é algo que vem do Senhor. Veja que, quando Oséias viveu sua experiência com o Senhor, Deus o ensinava sobre conhecimento. Logo no Cap 4.1, há uma menção sobre a contenda que Deus tinha com os habitantes da terra, pois não havia conhecimento de Deus. Conhecimento de Deus é algo trabalhado em nosso espírito e não em nossa mente. Paulo alerta-nos sobre isso quando diz:
“Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus. Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus.” I Cor 2. 10, 11 e 12.
Veja que ele nos mostra onde há o depósito das coisas que Deus nos revela. No nosso espírito. Mas como assim? Deus precisa se comunicar conosco e, por meio do Espírito Santo, ele traz conhecimento ao nosso espírito. Isso é poderoso para nos transformar.
Mas esse processo do conhecimento de Deus, no homem, só pode ocorrer se ele tiver nascido de novo. Aqui está o grande mistério do Novo Nascimento. Por isso, é possível entendermos as diversas vezes que a expressão “tornar a viver” é usada pelos apóstolos, em particular por Paulo. (Rom 6.8, Rom 6.10, Rom 8.13, II Cor 7.13, II Cor 13.4, Gal 2.19 e 20 e muitas outras passagens).
Esse processo é interessante, pois o próprio Senhor Jesus disse como ele ocorre. “Quem não nascer da água e do Espírito”.
Acontece que poucos se detém na busca por entender o que é nascer da água e do Espírito. Aqui é o Espírito Santo, pois se trata de um substantivo próprio e não o comum, que, então, seria o espírito do homem.
A realidade, então, é que, se uma pessoa não nascer da água e do Espírito, veja que não é nascer de um ou de outro, é preciso nascer tanto da água quanto do Espírito, essa pessoa não pode entrar no reino de Deus. Após compreender isso, pude entender muitas situações de homens e mulheres que passam a vida atrás de experiências e milagres e nunca se firmam na vida cristã. Passei a entender porque muitos trocam suas visões e suas convicções como se as coisas de Deus fossem estratégias de mercado. Passei a entender a oscilação que muitos enfrentam em suas vidas e não conseguem entrar nos propósitos do Senhor. Simples. São pessoas que não entendem as coisas do reino de Deus. Não se transformaram em súditos desse reino. A percepção que norteia a vida dessas pessoas é a mesma que norteia de um homem natural. Não nasceram de novo ou, se experimentaram em algum momento o novo nascimento (sobre isso eu vou falar mais à frente), aquilo ficou no passado, como Jesus mesmo ensinou, afirmando que a palavra não caiu em solo fértil. Quando nos deparamos com a compreensão do que é estar inserido no reino de Deus, tudo muda. A única razão de alegria em nossa vida se chama Cristo Jesus. A única fonte de vida que temos se chama Cristo Jesus. A única força que temos se chama Cristo Jesus. As coisas dos reinos desta terra alegram muitos cristãos, quando o que deveria ser motivo de alegria para eles é, tão somente, a presença do meigo Senhor Jesus. Isso é muito direto.
Hoje entendo os motivos e causas para tanta mudança nas igrejas. Embora os líderes tentem trocar o nome das mudanças para novas estratégias, nova visão, novo mover, restauração, renovação, novo agir de Deus, etc etc etc, a única coisa que explica tamanha falta de sincronia com a sã doutrina é a ausência da percepção e leitura que precisamos ter e fazer do reino de Deus, onde a única coisa que inclui tudo e é a única razão de tudo para nós se chama Jesus. Que coisa gloriosa quando o crente tem essa percepção! Por exemplo, você já ouviu a expressão balada evangélica, não ouviu? Qual a razão disso? Eu até entendo essa estratégia dos líderes, pois, assim, ao menos, eles seguram os jovens na igreja e, afinal, se você dançar e girar seu corpo ao som de música “dance” e outras não há mal nenhum nisso, eles afirmam. Mas quando olhamos para o prisma do novo nascimento, do entrar no reino de Deus, ou seja, aquilo que eu desejo, aquilo que eu sonho, aquilo pelo qual tenho forças para lutar, aquilo que representa tudo em minha e entendo que é Jesus Cristo, autor e consumador da vida, então nada mais faz sentido. A contrapartida é que se isso não é uma realidade em minha vida, ou seja, se eu, de fato, não nasci de novo e não tenho a marca da “cultura” do reino de Deus, então essas coisas (“estratégias”) passam a ter sentido lógico para mim.
Após “cair minha ficha” sobre essa questão, qual seja, o novo nascimento produz valores novos no ser humano, o novo nascimento te dá o prisma de Deus, o novo nascimento te coloca em “novos ambientes culturais”, e outras, eu entendi claramente o que Paulo nos ensina em Colossenses 3, a partir do verso primeiro:
“PORTANTO, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória. Mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza, a afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria; pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência; nas quais, também, em outro tempo andastes, quando vivíeis nelas. Mas agora, despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca. Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou; onde não há grego, nem judeu, circuncisão, nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo em todos. Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade; suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição.” Col 3. 1 ao 14.
Se atentarmos aos trechos que sublinhei, surpreendemo-nos com tamanha dificuldade que é viver nessa dimensão de novas criaturas. Mas, o que Paulo está dizendo ali é exatamente isso: “se já nascestes de novo, buscai as coisas que são de cima, pensai nas coisas que são de cima. Óh, meus amados irmãos, quando vejo pregadores preocupados em ensinar táticas de sucesso, passos para pessoas se tornarem grandes pessoas vencedoras, etc etc, me paro a pensar exatamente nisso: sou nova criatura, minha alegria está nas coisas que são de cima e não nas que são desta terra e, com isso, apenas lamento a falta de graça nos dias atuais em se trazer revelações do trono de Deus para que o povo se alimente com o pão dos céus. Muitos, na dificuldade de se ministrar aquilo que vem do alto, apelam para mensagens programadas, formatadas, enlatadas, apelam para a emoção, para o intelecto, enfim, deixam o mais puro caminho da verdadeira vitória: a palavra que se renova a cada fração de segundo e que esquenta em nossos espíritos. Isso é para novas criaturas!
Meus irmãos, qual a razão para muitos crentes em Jesus estarem em um salão, dançando ao som de “dance” com copos de sucos ou guaraná (muitos que defendem isso o fazem justificando que é um ambiente familiar, sem bebidas alcoólicas, sem brigas, etc etc)? Ora, então se eu for a uma boate mundana e eu não beber nada que seja alcoólico, não me envolver em brigas e não me prostituir, então eu não fiz nada errado? Claro que não fiz, pois meu erro é atribuir um valor de alegria, um valor de felicidade a algo que é desta terra, quando eu deveria estar buscando as coisas que vem do alto. Fico vendo essa influência mundana da psicologia nas coisas de Deus, em especial quando se trata de comportamentos. Alguns pregadores afirmam categoricamente que precisamos ter tempo para o entretenimento, que está provado pela ciência que isso é bom para o homem e, com base, nisso defendem muitas práticas que são, de fato, sensuais, carnais e que só servem para alimentar a carne. Nossa alegria, irmãos, nossa satisfação, nosso entretenimento se chama Jesus Cristo. Ele, sim, é nossa maior razão para estarmos vivos! Mas se você não vive na esfera, na dimensão do reino de Deus, você jamais se aquentará com um simples versículo (quando Deus te dá algo especial por meio de um único verso), você jamais entenderá que não precisa de estratégias ou entretenimentos e será um desses que se “ajeita” em balada evangélica, em “funk” cristão, em “shows gospel” etc etc etc.
Nesta terceira parte desse complexo tema, quero me dedicar ao aspecto de nascer da água.
A maioria de pregações ou estudos que você acha ou lê aborda água como sendo o batismo. É muito simples e Jesus teria sido mais direto ao exemplificar essa questão. Ao contrário, ele diz que alguém que deseja entrar no reino de Deus tem que nascer de novo. O batismo seria apenas uma etapa na porta do arrependimento, mas o fato de nascer de novo é mais complexo, pois é um processo que leva a pessoa arrependida a morrer (sua natureza carnal) – e renascer em Cristo Jesus. Esse é o primeiro ponto importante. Para nascer de novo, é preciso morrer.
A primeira, talvez uma das mais fortes alusões a isso no NT, está no livro de João, no capítulo 12, verso 24:
“Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto”.
Jesus falava de sua própria morte, mas a verdade aí contida é também para a sua igreja. Quem não morre não dá fruto. Essa é a grande diferença daqueles que nascem de novo e aqueles que não nascem. O fruto só aparece naqueles que nascem de novo. Por isso entendemos o que Paulo ensina quando diz “quem está em Cristo é nova criatura, tudo se fez novo e as coisas velhas se passaram”. Eu amo esse verso e ele é um grande desafio para mim para evitar as desculpas que criam quando observam que a maioria dos cristãos não dão frutos. Daí vêm todas as espécies de desculpas, para se justificar terapias evangélicas, cultos de cura da alma, cultos de casais, cultos disso e daquilo. É uma gama gigante de tentativas de se fazer aquilo que é obra do Espírito Santo: levar alguém à morte e gerar uma nova vida na pessoa. Ah, meus queridos, veja como estamos longe das verdades de Deus! Infelizmente.
Aquele que nasce de novo não tem passado. Estou falando em fé. Quem não é da fé acha doutrinas diversas para justificar suas coisas. Aqui, nós pregamos a sã doutrina, sem rugas, sem sofismas, de modo que pretendemos mostrar que estar em Cristo é estar com uma vida nova. Estar em Cristo é ter nascido de novo. Se nasceu de novo, então o passado passou! Quando essa fé não torna real essa palavra em nossas vidas, então nasce todo tipo de doutrina e dogmas para tentar fazer uma pessoa atingir um estado de graça. Terapias são válidas? São. Tratamentos são válidos? Sim, são. Palestras com psicólogos são válidas para crentes? Sim, são. Mas, meu irmão, não esqueça algo importante: isso tudo não são a Palavra de Deus, não podem, JAMAIS, fazer alguém novo. A Cruz, sim, faz alguém andar em novidade de vida. Paulo dizia que estava crucificado com Cristo e a vida que ele tinha era pela fé em Cristo Jesus (Gl 2.20). A nova vida só vem com a fé.
Mas, então, o que é a água? O nascer da água? O que seria isso. Em primeiro lugar, vou apontar alguns significados de água na Bíblia Sagrada e, depois, retorno ao assunto em pauta.
A água é o líquido presente em quase toda matéria viva. Deus é o criador de todas as fontes de água na terra (Ap 14:7), tão essencial à vida do homem, dos animais e da vegetação sobre a terra. (Êx 17:2, 3; Jó 8:11; 14:7-9; Sal 105:29; Is 1:30). Ele a provê e pode controlá-la. (Êx 14:21-29; Jó 5:10; 26:8; 28:25; 37:10; Sal 107:35). Deus fornecia água aos israelitas, até miraculosamente quando necessário (Êx 17:1-7; Ne 9:15, 20; Sal 78:16, 20; Is 35:6, 7; 43:20; 48:21); deu-lhes uma terra que tinha abundância de água (Dt 8:7); e prometeu abençoar sua reserva de água enquanto obedecessem a ele (Êx 23:25).
Há numerosas referências à água nas Escrituras, dando-lhe sentidos diferentes. As pessoas, em especial as massas inquietas, alienadas de Deus, são simbolizadas por águas. Babilônia, a Grande, em seu domínio por toda a terra, é mencionada como estando sentada “sobre muitas águas”. A visão de João sobre a grande meretriz explica que tais águas “significam povos, e multidões, e nações, e línguas”. — Ap 17:1, 15; compare isso com Is 57:20.
Devido ao poder da água como agente destruidor (provocando afogamentos, enxurradas ou efeitos similares), ela é frequentemente empregada como símbolo de alguma força destrutiva. (Sal 69:1, 2, 14, 15; 144:7, 8) É usada como símbolo de força militar em Jeremias 47:2.
A água era usada no tabernáculo, tanto para a limpeza física como em sentido simbólico. Na investidura no sacerdócio, os sacerdotes eram lavados com água, e, simbolicamente, espargia-se “água purificadora de pecado” sobre os levitas. (Êx 29:4; Núm 8:6, 7). Os sacerdotes lavavam-se antes de ministrar no santuário de Yehowah e antes de se chegar ao altar da oferta queimada. (Êx 40:30-32). Usava-se a água para lavar sacrifícios (Le 1:9) e em purificações cerimoniais. (Le 14:5-9, 50-52; 15:4-27; 17:15; Núm 19:1-22). A “água santa” usada em casos de ciúme, quando a esposa era suspeita de adultério, evidentemente era água pura, fresca, na qual se punha pó procedente do tabernáculo antes de ela bebê-la. — Núm 5:17-24.
Apenas por meio de Jesus Cristo, podemos obter vida eterna. Ele, Jesus, é o Pão vivo que desceu do céu, mas quando encontrou com a samaritana (Jo 4), Jesus disse a ela, junto a uma fonte perto de Sicar, que a água que ele daria tornar-se-ia em no interior do ser humano “uma fonte de água que salta para dar vida eterna”. — Jo 4:7-15.
O apóstolo João registra sua visão de “um novo céu e uma nova terra” em que viu um “rio de água da vida” fluir do trono de Deus. De cada lado deste rio havia árvores que produziam fruto, as folhas das árvores sendo usadas para curar as nações. (Ap 21:1; 22:1, 2) Depois de se completar este aspecto da visão, Jesus falou a João sobre o objetivo de ele enviar seu anjo com tal visão. Daí, João ouviu a proclamação: “E o Espírito e a noiva estão dizendo: ‘Vem!’ E quem ouve diga: ‘Vem!’ E quem tem sede venha; quem quiser, tome de graça a água davida.” Forma-se, nesse conceito, uma ideia relativamente aceitável que o Senhor Jesus é, também, a água viva que transborda em nosso interior.
Usando uma figura de linguagem diferente ao escrever à congregação em Corinto, o apóstolo Paulo comparou a obra do ministro cristão à de um lavrador, que primeiro planta a semente, rega-a e cultiva-a, esperando, depois, que Deus faça a planta atingir a maturidade. Paulo levara as boas novas do Reino aos coríntios, plantando a semente no “campo” coríntio. Apolo veio depois, e, por seu ensino adicional, nutriu e cultivou a semente plantada, mas Deus, pelo seu espírito, causou o crescimento dela. Paulo usou esta ilustração para salientar o fato de que nenhum humano individual é, em si mesmo, importante, mas todos são ministros, cooperando como colaboradores de Deus. Aquele que é importante é Deus e ele abençoa tal trabalho, ou seja, sua própria igreja (1Co 3:5-9). Pela água, a igreja vai crescendo. Rega-se a igreja com água.
Um outro significado da água na Bílbia é a água que purifica. A igreja de Jesus é limpa à vista de Deus, como uma noiva casta para Cristo, o qual a purificou “com o banho de água por meio da palavra”. (Ef 5:25-27). Quando Paulo fala em regar, é obvio que está falando da Palavra também, vez que o que dá crescimento ao corpo de Cristo é sua palavra (Jo 17.17). O autor da carta aos Hebreus também nos aponta para água como sendo a Palavra, que limpa e lava o crente. Ele nos ensina: “Visto que temos um grande sacerdote [Jesus Cristo] sobre a casa de Deus, aproximemo-nos com corações sinceros na plena certeza da fé, tendo . . . os nossos corpos banhados com água limpa.” (He 10:21, 22). Esta limpeza de água limpa a que ele se refere é a limpeza feita pela Palavra do Senhor, única condição para nos manter limpos. O salmista deu esse segredo quando decretou: “Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti.” (Sl 119.11).
A água na Bíblia também é apresentada diversas vezes para a realização do batismo, como vemos desde o batismo do Senhor Jesus até os diversos outros irmãos que foram batizados na igreja primitiva.
Uma prova que a água que Jesus menciona para nascer de novo não é o batismo é o fato de milhares e milhares de pessoas ao redor do mundo serem batizadas diariamente e não apresentarem uma mudança qualquer em suas vidas.
Ora, Paulo aponta, junto com o escritor aos Hebreus, que Jesus referia-se à Palavra ao mencionar nascer da água. Por que afirmo isso com todas as letras? Primeiro porque o simples fato de ser batizado não é suficiente para dizermos que estamos diante de uma nova criatura. Ademais, se assim o fosse, o ladrão que estava com Jesus e se arrependeu podia muito bem não ser batizado. Eu prefiro evitar a afirmação que ele não era batizado, como fazem a maioria das pessoas, porque ele sabia tudo a respeito de Cristo Jesus e chamou Jesus de um modo que só as pessoas mais próximas o chamavam (rabi). O ladrão havia cometido crimes, mas poderia ter sido batizado antes de ser julgado, tendo conhecido Jesus anteriormente. Nesse caso, são 50% de probabilidades de ele ter sido ou não batizado. Na hipótese de não ter sido batizado, jamais Jesus iria dizer a ele que ele estaria com Cristo no paraíso, vez que ele não era batizado e, portanto, não havia nascido de novo. Deste modo, não poderia entrar no reino de Deus. Entendeu a correlação? Por isso, nascer da água, definitivamente, não é o batismo nas águas. Não é ser batizado. Nascer da água é nascer da Palavra.
É a Palavra de Deus que, penetrando no ser humano, traz luz para as nossas vidas e nos transforma. No seu trabalho com o Espírito Santo, a Palavra tem o poder de regenerar vidas e fazê-las novas.
Na sua segunda carta, Pedro nos ensina algo tremendo:
“E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações”. II Pe 1.19
A Palavra é luz, isso todos sabem. Agora, Pedro nos traz algo interessante. A Palavra é como uma luz que alumia em lugar escuro e assim vai até que a estrela da alva (figura de Jesus) apareça em nossos corações. Ora, a obra da presença de Deus em nossas vidas, regenerando-nos é da Palavra. Sem Palavra, não há mudança. Guarde isso meu irmão: se não houver palavra de Deus enxertada em você, diariamente, não haverá transformações. Você pode fazer de tudo na igreja, mas as coisas velhas não morrerão e você não se transformará. Isso é obra da palavra de Deus.
Vou encerrar esta parte em que falo sobre o nascer da água, transmitindo umas concepções finais que estão em alguns versos no NT:
Somos selados com o Espírito Santo após recebermos a palavra da verdade. O Espírito Santo sempre vem e age quando tem Palavra. Daí o motivo de Jesus nos mostrar que o caminho do novo nascimento é Palavra (água) e Espírito Santo.
“Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa”. (Ef 1.13)
Paulo, quando escreve aos tessalônicos, mostra-os que o Evangelho é palavra com Espírito. Não adiante alguém dizer que tem o Espírito Santo se não estiver enxertad na Palavra. A pessoa pode dizer, mas isso não pode acontecer. Se algo acontecer, sem Palavra, então não é Espírito Santo.
Porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza, como bem sabeis quais fomos entre vós, por amor de vós. (I Tess 1. 5)
Paulo, ainda escrevendo aos tessalônicos, mostra-os que a palavra de Deus opera naqueles que creem. Veja que é sublime isso. Isso é sobrenatural. Uma palavra, como Paulo nos esnina, que vem de Deus. Uma palavra não de homens (hoje é tanta palavra de homem), mas de Deus pode operar em nosso ser. É daí que vem a regeneração: desse operar de Deus pela Palavra dentro de nós.
Por isso também damos, sem cessar, graças a Deus, pois, havendo recebido de nós a palavra da pregação de Deus, a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade), como palavra de Deus, a qual também opera em vós, os que crestes. (I Tess 2.13)
O próximo texto não deixa dúvidas quanto ao poder da Palavra para fazer ou melhor iniciar o processo do Novo Nascimento. Tiago nos ensina que o Senhor nos gerou pela Palavra da Verdade. Veja que não há uma insinuação sequer de água, quando Jesus fala em nascer de novo, como sendo o batismo. Não. E esses textos chegam para confirmar o que estou te ensinando. Regenerados pela Palavra.
Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas. (Tiago 1.8)
A palavra tem que ser enxertada dentro de nós. Isso implica dizer plantada. Ora, tendo sido plantada ele vai crescer. Esse crescer do Senhor vai nos moldando e nos aproximando do caráter de Jesus Cristo. Observe, pela Palavra.
Por isso, rejeitando toda a imundícia e superfluidade de malícia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar as vossas almas. (Tg 1.21)
O próximo texto, mais uma vez, não deixa dúvidas quanto ao poder da Palavra para fazer ou melhor iniciar o processo do Novo Nascimento. Ao nascer de novo, aqueles que pela fé recebem Jesus Cristo, são gerados pela Palavra de Deus viva. Essa Palavra permanece para sempre em nós. Mas tem que ser de novo gerados. Não adianta a pessoa ser convencida de seu erro e, emocionalmente, adotar uma medida para ser um cristão. Não é algo natural que promove essa mudança. É espiritual e pela Palavra, ou seja, pela água. Se não nascer pela água, não se regenera. Não regenerado não entrar no reino de Deus.
Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre. (I Pe 1.23)
Acompanhe aqui mesmo no CACP para ler as próximas partes deste estudo. Deus o abençoe!

 

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ovação do entendimento: valores espirituais contra valores humanos

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João 3. 1-7; 4. 5-15; e 4. 31-34:

É interessante notar os mal-entendidos que cercam os diálogos entre Jesus e Nicodemos, entre Jesus e a mulher samaritana e, por últ...

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