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PORQUE CREIO NO REINO MILENAR

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Nem todos acreditam em um reino messiânico terrestre que durará mil anos. Mesmo grupos cristãos sérios e bíblicos olham com incredulidade esse ponto da escatologia. Quando lêem Apocalipse 20.1-6 procuram fugir de qualquer entendimento literal, tentando identificar esse período com o atual tempo da Igreja [amilenistas] ou algum tempo com condições especiais dentro da Era Cristã [pós-milenistas]. Isso difere dos pré-milenistas que entendem ser um período distinto, de duração exata de mil anos, no qual a Igreja, juntamente com Cristo, reinará na terra.

            Como em qualquer questão de linha teológica não  basta  dizer o que eu creio. Tenho de dizer porque eu creio. Tenho que responder com mansidão e temor a qualquer que perguntar pela razão  da esperança que há em mim (1 Pedro 3.15). Tenho que estar convencido pela Palavra de Deus do contrário não poderei convencer a ninguém. Tenho que estar seguro no meu próprio entendimento (Romanos 14.5), ainda que outros irmãos discordem.

            E por fim, tenho que questionar: Porque eu acredito no Reino de mil anos a ser implantado por Cristo neste mundo? Em que partes das Escrituras eu me apoio? Que problemas vejo em tentar interpretar passagens bíblicas de outra maneira?

            Responder a essas questões de modo bíblico, racional e coerente pode ajudar outros a se posicionar adequadamente, adquirindo confiança em sua fé. Serão minhas razões porque eu creio no milênio.

  1. 1.O Antigo Testamento fala amplamente do reino terreno do Messias

Não são poucas as passagens que falam do reino messiânico no Antigo Testamento. Pelo contrário, o reino messiânico era a esperança de Israel. O fato do reino não ter se concretizado na primeira vinda do Messias, não  espiritualizou o evento, apenas o tornou conhecido  entre os gentios, para que fosse consumado em sua segunda vinda. Entre as muitas passagens, citemos apenas duas entre várias.

Salmo 72 -  Temos aqui um governo do Messias que abrange  o mundo todo, de mar a mar (v. 8). Esse governo abrange todas as nações (v. 11). E este governo será duradouro, abrangendo várias gerações (v. 17). É óbvio  que  nunca tivemos tal situação, nem geográfica, nem historicamente falando. Por  maior que seja a influência  do cristianismo. O domínio de Cristo neste mundo é sustentado apenas por um grupo limitado de  seguidores, enquanto a maioria dos habitantes da terra permanece alheia ou hostil a Cristo. Como disse o autor da epístola aos Hebreus, mas agora, ainda não vemos que todas as coisas  lhe estejam sujeitas (Hb 2.8)

Zacarias 14 – O reino messiânico é claramente identificado com a segunda  vinda (v. 5). Seu domínio universal é proclamado (v. 9). Os versos 16 a 19 mostram uma condição do reinado messiânico  que  nunca  existiu na história. É um reinado  real e não espiritual

Temos que admitir que as tentativas de fazer cumprir  tais profecias na Igreja, produziram o papado medieval, onde as  nações tinham de prestar honras ao “vicarius  Dei”. A espiritualização e alegorização com a finalidade de ajustar essas profecias à presente era, nada mais fez do que  roubar a glória que só pertence  ao  Messias.

  1. 2.Os apóstolos e primeiros cristãos, sendo de origem judaica, só poderiam esperar um reino dessa natureza

Não podemos negar que houve  ruptura entre aspectos do Antigo Testamento e aspectos  do Novo Testamento. Todavia, a  existência de rupturas, não  significa a ausência de continuidades. Se esse fosse o caso, tudo teria  de ser rejeitado. As  Escrituras  referidas por Jesus e os  apóstolos era  o que hoje chamamos de “Antigo  Testamento” e eles a trataram com o devido respeito.

  1. 3.O Novo Testamento sanciona um reino de Cristo sobre a terra, juntamente com sua Igreja

            Que a Igreja vai  reinar, isso é evidente no Novo Testamento (1 Co 4.8; 2 Tm 2.12), descrito como um evento futuro. E o Apocalipse  deixa  claro  que não  se trata  da mera autoridade espiritual que o  cristão tem em Cristo ou algum governo exercido  pelos  salvos durante o período intermediário  da morte. Eles “reinarão sobre  a terra” (Apoc 5.10), o que indica um evento futuro e terreno. O que se harmoniza com Daniel 7.21-27, onde  o anticristo é derrotado e o Messias com seus santos reinará.

            Além do mais, a ideia de um reino de Cristo por mil anos, juntamente com os salvos, entre a  primeira ressurreição (dos salvos) e a ressurreição  dos perdidos, é a  única forma razoável de entender Apocalipse 20.1-7.

  1. 4.Até o meio do século III,crença no reino messiânico era predominante na Igreja

Embora depois de Niceia o conceito de um reino terreno com a duração de mil anos tenha entrado em um ocaso, isso só aconteceu devido  ao exagero de milenaristas ou quiliastas (quilo = mil) e devido a certo rancor direcionado aos judeus. Como escreveu Philip Schaff, historiador do cristianismo:

O ponto mais  marcante da  escatologia da era pré-nicena é a proeminência do quiliasmo, ou milenarismo, que  é a  crença  num reinado visível de Cristo em glória na  terra com os santos ressurretos por  mil anos, antes da ressurreição geral e do juízo. Essa certamente não foi a doutrina da igreja incorporada a algum credo ou forma de devoção, sendo  antes uma posição amplamente aceita por mestres  ilustres[1]

            O reino milenar, literal e terrestre de Cristo é  uma clara doutrina das Escrituras. Alguns pensam que ele é apenas uma citação obscura do livro do final do livro do Apocalipse. A passagem apenas informa a durabilidade desse reina e o situa cronologicamente no plano escatológico. A revelação sobre o  assunto é  clara nos Salmos, nos profetas e em todo o Novo Testamento. É claro que a  nossa  mente não  consegue conceber com exatidão como será esse  reino. Ainda  assim é uma  clara revelação  das Escrituras e portanto, objeto da  nossa fé.



[1] PENTECOST, Dwight. Manual de Escatologia. São Paulo: Vida, 2006

 

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Pr. Eguinaldo Hélio de Souza

Escritor, apologeta e mestre em teologia

(www.devocionaiseesbocos.wordpress.com) 

 

 

 

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