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PRECISAMOS DE ESCATOLOGIA

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“Durante todo o passado, sempre fomos fascinados pelo futuro. “Não há nenhuma nação”, escreveu Cícero no ano 45 a.C, “por mais culta e instruída ou por mais bárbara  e selvagem, que não acredite ser possível que eventos futuros possam ser indicados, compreendidos e previstos por  certas pessoas”, Ele sabia do que estava falando: se vocês atirassem um tijolo em uma multidão de romanos, era provável que  atingisse um adivinho”[1]

Assim, dessa forma jocosa, David A. Wilson escreveu em sua obra A história do futuro, um livro no qual ele fala sobre as tentativas humanas de prever o futuro, com um tom irônico e cético. Para ele, a mera ideia de escatologia não passa de tentavas humanas frustradas e antecipar o porvir.

Mas a escatologia não é um conjunto de superstições religiosas ou filosóficas, não é um divertimento, não é uma cultura inútil. Ela é uma necessidade existencial, uma parte importante no conjunto da vida e de tudo o que ela representa. O anseio por conhecer o futuro é o que se pode esperar por parte de um ser pensante, inteligente, que indaga constantemente pelo sentido da vida. O futuro também está ligado ao sentido da vida. Se a escatologia não existisse, precisava ser inventada. Ainda bem que Deus nosrevelou sobre o futuro. Ele conhece o ser humano e a realidade como ninguém mais no universo.

Toda história tem um final.A história humana tambémprecisa ter um final. Nós, cada um de nós, nascemos no meio do processo histórico. Só conseguimos contemplar um pedaço de uma extensa e ampla linha. Vemos apenas nossa curta vida e a curta vida de um punhado de pessoas, nossos contemporâneos. No entanto, sabemos que a linha começou antes de nós e prosseguirá por tempo indefinido depois de nós. Sabemos que ela teve um começo como tudo o que existe. E isso nos ensina que não há como fugir – a história humana, também tem um final. Qual será?E não é só isso.

Todos nós carregamos conosco uma cosmovisão, uma história maior, uma metahistória que dá sentido a todas as histórias. Quando dizemos que acreditamos em Deus e que Ele é o Senhor da história. Quando dizemos que Ele enviou seu Filho, que por nós morreu e ressuscitou. Quando falamos de plano de Deus, então formulamos um desfecho para este imenso plano. O futuro também faz parte dessacosmovisão. Minha morte não põe fim ao plano, ao projeto. Somente o futuro o concluirá. A escatologia cristã é parte integrante da cosmovisão cristã. Quando vemos pessoas imaginando o futuro, como em Star Wars, nós sabemos que aquilo é irreal, pois nada tem haver com o futuro de Deus. Está longe da cosmovisão bíblica. Quando lemos sobre o paraíso comunista, sabemos que é pura ilusão. Se choca com a cosmovisão bíblica. Quando conhecemos a história passada e presente sob a luz da revelação de Deus, sabemos que há um futuro exposto sob essa mesma luz. Esse é o futuro no qual cremos e o qual esperamos.

Além do mais, o futuro é uma conseqüência óbvia da existência. Quando ensinamos a uma criança sobre a morte, estamos oferecendo a ela uma verdade inflexível que ela precisa absorver e aceitar. Se a morte é um mistério, também é um fato. E as inúmeras explicações contraditórias sobre ela não a anulam e nem a excluem do quadro da vida. Ela é a moldura indispensável da existência humana, sem a qual o quadro ficaria flutuando sobre o nada. A escatologia bíblica nada mais é do que a moldura, não ao redor de uma única vida, mas ao redor de toda humanidade e de todo o universo. É ela que dá sentido a todos os acontecimentos, impedindo que o tudo surja e desapareça como fruto de um acaso.

Por fim, sem os acontecimentos revelados sobre as últimas coisas, a revelação divina seria incompleta. As Escrituras, começando em Gênesis e terminando no Apocalipse representam um fato extraordinário. Início, meio e fim, como convém a qualquer história com bom senso. Mesmo que pouca coisa nós saibamos sobre o fim e sobre a condição eterna, aquilo que nos foi revelado, encaixa-se plenamente, dando sentido ao restante. O Deus que revelou seu plano não o fez pela metade. Deu a nós ao menos um vislumbre do que o amanhã nos trará.

“Porque, agora, vemos por espelho em enigma; mas, então, veremos face a face; agora, conheço em parte, mas, então, conhecerei como também sou conhecido.” (1 Coríntios 13.12)



  

helio2016

Pr. Eguinaldo Hélio de Souza

Escritor, apologeta e mestre em teologia

(www.devocionaiseesbocos.wordpress.com) 

 

 

 

 

 

 

 

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