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Arqueologia

ESCATOLOGIA: MAIS QUE UM MERO PONTO

ESCATOLOGIA: MAIS QUE UM MERO PONTO

Sem dúvida que a sistematização, não apenas da teologia, mas de todo e qualquer conhecimento facilita sua compreensão. A análise requer essa divisão de um elemento em unidades menores de modo que cada parte possa ser estudada conforme sua natureza. Com a ciência bíblico-teológica isso não é diferente. Separamos os assuntos em áreas afins como teontologia (estudo do Ser de Deus), cristologia (estudo da pessoa de Cristo), eclesiologia (estudo da Igreja), antropologia (estudo do homem) e assim por diante. Claro que esse método facilita e muito nosso entendimento de cada assunto em particular. É uma exigência tal atitude.

            Essa forma de abordar nosso objeto de estudo, porém, oferece algumas limitações. Porque separamos em partes elementos que não estão naturalmente separados, elementos que formam um todo coerente cujas partes se relacionam de forma interdependente. Ao separá-los enxergamos bem a parte em si, mas perdemos a parte no todo. É como se estudássemos um órgão qualquer do corpo humano, o fígado, por exemplo, ignorando sua relação com os demais órgãos do corpo e com o corpo como um todo. Em nossa mente o fígado é um órgão completo em si mesmo quando na verdade suas funções se interligam com outras partes do corpo. Com isso é fácil perceber que nossa sistematização da teologia corre o mesmo risco.

            Em nosso caso específico, a escatologia, é muito fácil isolá-la como uma matéria à parte e esquecer toda a relação que ela possui com Deus, com Cristo, com o homem, com a Igreja, enfim, com todas as demais áreas do saber bíblico e teológico. Quando do estudo da Teologia Sistemática, ela é colocada no final das matérias como um apêndice, como um elemento de menos importância diante dos demais.Essa foi justamente a crítica de JurgenMoltmann em sua Teologia da Esperança:

 

            Desta forma, as doutrinas sobre o fim último vegetavam esterilmente nas últimas páginas da Dogmática cristã. Eram como que um frouxo apêndice, que levava uma como existência apócrifa e sem maior importância. Não tinham nenhuma relação com os ensinamentos sobre a Cruz e a Ressurreição, Exaltação e Senhorio de Cristo, nem eram consequências necessárias delas. Estavam tão longe delas, como uma pregação no dia de Finados sobre a Páscoa. Na medida em que o Cristianismo se tornou a organização herdeira da religião do Estado romano e teimosamente reivindicava para si as atribuições e pretensões do mesmo, a escatologia foi deixada, juntamente com sua eficácia mobilizadora e revolucionária dentro da história agora vivida, às seitas entusiásticas e fanáticas e aos grupos revolucionários. (MOLTMANN, Jurgen. Teologia da Esperança. São Paulo: Teológica, 2003, pp. 21, 22)

 

            Ele coloca a escatologia como o foco central, o núcleo condutor de toda a teologia. Apesar da discordância sempre possível, não podemos esquecer que a escatologia se relaciona com diversos aspectos da fé cristã. Nossa salvação tem elementos escatológicos. A pessoa de Cristo se relaciona com fatos do futuro. Deus é o Soberano desse futuro. Tudo ruma ao futuro como já vimos. Não é muito fazermos uma abordagem que permita relacionar a escatologia bíblica, a doutrina das últimas coisas, como todas as demais doutrinas sistemáticas e até mesmo com a história de modo geral. A ênfase escatológica que vimos nos últimos cento e cinqüenta anos tem a sua razão de ser. A inevitabilidade do futuro nos obriga a conhecer a respeito do futuro de Deus, não apenas no que nos diz respeito, mas em tudo o que se relaciona com Deus, seus propósitos e sua criação.

            A escatologia é parte destacada da revelação divina. E por esse motivo precisa ser compreendida dentro da proposta de revelação.

            O Deus que falou do passado e do presente, também falou do futuro. E esse futuro emana de quem Ele é. Olhar para o futuro de Deus revelado nas Escrituras não é olhar para algumas partes da Bíblia. É olhar para toda a Bíblia, é entender como tudo se relaciona, se une e se destina a um futuro prometido e preparado por Deus. Não podemos dizer que conhecemos as últimas coisas reveladas se não conhecermos tudo aquilo que foi revelado.

            Se o todo é maior do que a soma das partes, a parte também é mais do que uma mera parte quando vista no todo. Escatologia é mais do que o simples futuro, quando vista à luz de tudo o que Deus fez e está fazendo. O futuro de Deus é mais um simples futuro quando é visto em Deus.

           

Pr. Eguinaldo Hélio de Souza

Escritor, apologeta e mestre em teologia

(www.devocionaiseesbocos.wordpress.com) 

 

 

 

 

 

 

 

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